O rio de minha aldeia corria durante todo o ano. Batizado de Mocha, seu nome revelava a íntima relação com a criação do gado vacum, atividade que favoreceu a gênese da sociedade piauiense.
O riacho Mocha serpenteava, perenemente, a antiga cidade desde suas nascentes até desaguar no rio Canindé. Ao longo de suas margens, plantava-se e colhia-se de tudo um pouco, confirmando a célebre observação do escrivão viajante: "Em se plantando, tudo dá."
Com o passar do tempo, porém, a falsa ideia de progresso, somada à ausência de consciência ambiental, aviltou suas nascentes, degradou suas margens e comprometeu suas águas.
O Mocha, meus senhores, parafraseando o mestre Dagoberto, hoje é apenas saudade.
O velho riacho que deu vida, sentido e sustento à Povoação da Mocha transformou-se numa estrada empoeirada que não conduz a lugar algum. Uma lástima.
Resta, pois, a fotografia antiga, guardando não apenas a lembrança de um tempo que passou, mas também o ressentimento coletivo diante daquilo que deveria ter sido preservado e, infelizmente, não foi.
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Texto: Professor e Historiador, Júnior Viana.